As idéias de céu e inferno são, na verdade, postulados religiosos e filosóficos necessários. Refletem realidades metafísicas, uma vez que admitamos os limites de qualquer ordem política real. O cristianismo libertou os homens do fardo esmagador de esperar que a salvação viesse, finalmente, da ordem política. A modernidade, por sua vez, é uma perversão do cristianismo, pois tenta alcançar a salvação humana neste mundo politizando todas as coisas. Aristóteles disse que o propósito mais elevado do homem é a contemplação do divino, a felicidade última para a qual foi criado. A contemplação permanece, assim, a conexão essencial entre a teoria política e a teologia política. É por isso que, ao final, a espiritualidade sempre será também uma questão pública; porque a ação permanecerá sempre subordinada à oração e à contemplação. Uma boa ordem política permitiria isso, mas a relação da política com a metafísica é uma negligência crucial da filosofia política contemporânea – e o resultado é o
A POLÍTICA DO CÉU E DO INFERNO: TEMAS CRISTÃOS DA FILOSOFIA POLÍTICA CLÁSSICA, MEDIEVAL E MODERNA – ECCLESIAE (CD)
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