Num ensaio sobre Dante, T. S. Eliot diz que “”a poesia genuína é capaz de comunicar antes de ser entendida””. Isto porque a poesia fala não só à razão, mas ao que em nós vai além do intelecto: corpo, sentidos, emoção, instinto, intuição… Em Fazer círculos com mãos de ave, Ana Estaregui aprofunda sua pesquisa sobre as interações entre natureza e cultura, humano e mais-que-humano, numa escrita não circunscrita a um eu único: “”o coração assopra coisas indecifráveis/ dá a ver aquilo que vê/ […] sem os olhos ensina a pensar/ como pensam os poemas/ como pensam os bichos””.
Essa poética nasce de uma visão de mundo e de linguagem menos antropocêntrica e mais próxima das perspectivas indígenas. Não por acaso, as referências a cantos, crenças, línguas e costumes indígenas proliferam e inspiram muitos dos poemas. Outra ideia forte do livro é a de que “”são os poemas que procuram as pessoas/ e não o contrário””. É como se, ao expandir as fronteiras da linguagem e da consciência, a poeta pudesse ou
Fazer círculos com mãos de ave – EDITORA 34
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Fazer círculos com mãos de ave – EDITORA 34
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