Cuidado, leitor, este livro requer coragem. Parece ser o desafio lançado por Clarice Lispector no prefácio “”Explicação”” de
A via crucis do corpo, livro de 1974. Nele, a autora simula uma Clarice diferente da que os leitores estavam acostumados desde sua primeira obra,
Perto do coração selvagem, de 1944. No entanto, ela é a mesma de sempre, a que nunca se recusou a fitar com os olhos abertos a selvageria do desejo humano, da avidez humana, da sordidez humana. O que se modificou foi o espanto se convertendo em escândalo, o sobressalto em ferocidade. Neste livro, Clarice está próxima à literatura maldita ou, como quer Georges Bataille, próxima à literatura do mal. Afrontando os limites morais, a autora adverte: “”Fiquei chocada com a realidade. Se há indecências nas histórias a culpa não é minha.”” O deslocamento da noção de indecência para o âmbito total da realidade cria um estado de perplexidade no leitor que poderá levá-lo a exclamar como a próp
A VIA CRUCIS DO CORPO: EDIÇÃO COMEMORATIVA – EDITORA ROCCO
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A VIA CRUCIS DO CORPO: EDIÇÃO COMEMORATIVA – EDITORA ROCCO
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