Tem razão Andrea Cortellessa ao afirmar que a dimensão do ritual e a obsessão visual perfilam a poesia de Carmen Gallo. A poesia é uma abertura para o diálogo, aberto ao impossível e até ao impossível, pois os interlocutores não são totalmente fixos.Estranheza e obsessão do outro que habita o “”eu”” e o outro entendido também como o próprio semelhante são elementos fundamentais neste laboratório escritural.
Medo: a escrita da poesia como forma de ler, contar e falar das próprias aflições. Nãohá nenhuma vontade de apagamento ou redenção, o encontro com a Medusa, aqui, é inevitável.
Simultaneidades: gesto operado por Camen Gallo, inclusive no jogo que se tem com os pronomes e a própria enunciação, marcados por um olhar obcecado e vertiginoso, atraído pelo movimento que está em seu próprio princípio.
Em As fugitivas, definido pela autora como uma biografia por lugares reais, as vozes parecem nascer de um silêncio profundo, frágil e móvel e intersticial: “”quem busca e quem se esconde

