Em sua origem, a palavra “”bárbaro”” é uma onomatopeia que designa aquele estrangeiro cujo idioma soaria como o resmungo de um “”blá-blá-blá”” ininteligível. Se essas pessoas de aparência exótica e de maneiras esdrúxulas nem falam direito, será que elas pensam? E, se o humano é o animal racional, seriam eles tão humanos quanto nós?
Há aí dois pressupostos: o de que os bárbaros são todos iguais (quiçá devêssemos dizer “”o”” bárbaro) e o de que a língua, os meios de expressão e os modos estariam em fiel paralelo com a alma, a mente ou a psique. Eles seriam, por assim dizer, sua parte visível. Adicionando a esse cenário a velha superstição ainda repetida pelo senso comum segundo a qual “”a arte é o que melhor encarna o gênio de um povo””, isso significaria que as labirínticas relações de influência, interpenetração e sucessão de diversos estilos deveriam por sua vez refletir uma dinâmica de miscigenação dos povos não menos complexa. Com ares de psicologia das raças, a história da arte nasce, assi
AS INVASÕES BÁRBARAS: UMA GENEALOGIA DA HISTÓRIA DA ARTE – WMF MARTINS FONTES (WF)
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