Entre quintais, cozinhas e correspondências, Fernanda Marra reúne, em “”As tias””, histórias de mulheres que carregam o peso e a leveza de muitas vidas. Elas são avós, vizinhas e tias, essas figuras que provocam, educam, cuidam, ferem e amparam. Aqui, o cotidiano se constrói por cheiros aconchegantes ou intragáveis, o carinho e a violência de relações em família, as histórias doces ou grotescas que passam de vizinha em vizinha, de tia a sobrinha, e de primo em primo.
Lembrança e invenção se confundem. Os contos de Fernanda Marra transitam entre o real e o imaginado com a naturalidade de quem sabe que a vida raramente se completa. Ao narrar histórias violentas, sua escrita não teme o desconforto – pelo contrário: a autora procura esta aflição, a encara, a cumprimenta, senta-se para acompanhá-la em um café demorado.
Em “”As tias””, o leitor é convidado a escutar o murmúrio das relações familiares que nos rodeiam, das conversas de adulto por trás de portas entreabertas. Nestes contos, F

