Certo azul conta a histo´ria de um sexteto de gatos que acolhe e educa Arturo, um menino cego abandonado nas ruas de San Jose´, Costa Rica. Mas na~o sa~o gatos quaisquer: eles sa~o mu´sicos – tocam jazz no forro do telhado do Mercado Central.
Freddie Freeloader, o narrador e contrabaixista do sexteto, conduz o leitor por seu mundo, onde impera a mu´sica, a liberdade e o improviso, ao contra´rio do mundo dos humanos, onde tudo deve obedecer a regras ri´gidas. Fio condutor de toda a histo´ria, o jazz na~o e´ apenas trilha sonora. A comec¸ar pelo ti´tulo do livro, que faz refere^ncia ao a´lbum “”Kind of Blue””, de Miles Davis, as mu´sicas que permeiam Certo azul tambe´m sa~o meta´fora da liberdade: a improvisac¸a~o e´ a esse^ncia do jazz; improvisar e´ ser livre.
Em uma das passagens mais bonitas, o avo^ de Freddie Freeloader ensina ao neto sobre as origens dessa mu´sica que foi transmitida por gerac¸o~es de escravizados afro-americanos, desde o se´culo XIX: “”Tudo isso estava na mu´sica.

