“”Quando se tenta perseguir a virtude aos seus extremos, o vício emerge””, escreveu Pascal. Outra não foi a conclusão de Montesquieu, no Espírito das leis: “”Leis extremas para o bem engendram males extremos””.
A história da ética e dos códigos legais ilustra a pertinência do preceito de inspiração socrática inscrito no templo de Apolo – Nada em excesso – e que seria depois retomado, elaborado e sistematizado pela ética aristotélica.
Em Contra a transparência, Hamilton dos Santos oferece um lúcido, sereno e oportuno adendo a essa linhagem argumentativa: uma análise do capcioso apelo e dos riscos inerentes ao ideal da transparência radical como um “”fármaco moral infalível””. Mal dosado, o remédio é tóxico: injeta e destila veneno.
O corpo vê-se; o coração adivinha-se. Imagine um choque de absoluta transparência: um mundo em que tudo o que nos vai pela mente – nossos pensamentos e desejos, fantasias e intenções, por mais secretos, caprichosos e recônditos – torna-se inteiramente acessível, co
CONTRA A TRANSPARÊNCIA: UM ENSAIO – ILUMINURAS
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