“”Camila Fabbri é uma observadora minuciosa, mas
nada passiva: não renuncia ao sonho de que as
palavras façam algo, modifiquem algo, tenham efeitos
concretos do outro lado do livro. É preciso ler em voz
alta estes contos, porque neles abundam descrições
belamente caprichosas e um fraseado personalíssimo.
É impressionante a capacidade da autora para manter
no ar as ilusões de seus personagens desesperados.””
ALEJANDRO ZAMBRA
Quando Amalia tinha 12 anos, gostava de frequentar a casa da vizinha. Por lá, havia uma piscina no quintal, o desejo maior em meio ao verão implacável de Buenos Aires. Mas havia também um filhote de jacaré. O réptil era pequeno e, no entanto, sua boca assustava. Quando alguém esboçava um mísero pavor, ouvia dos donos da casa: “”Não tema, é inofensivo””. Nada que se mexa, que tenha fome ou que sinta cheiro pode ser assim tão livre de causar algum tipo de receio. Ser alvo da animalidade – a nossa e a alheia – é o destino implacável de todos. Essa é a ideia por trás de

