Se Freud com a hipótese do inconsciente faz entrar no refúgio do sentido o não-sentido, o lapso, o sonho, Lacan efetua uma outra volta do parafuso e opera com outra lógica, qual seja, a da homonímia e a do equívoco. Cadeia de leituras a partir de uma lógica de expropriações. Como leitor e operador, o inconsciente não é convocado a explicar, mas sim é convidado a uma ética e a uma prática de leitura em que a interpretação possa, em uma volta a mais, garantir a inacessibilidade do enigma fora do risco das totalizações do sentido. É nesse lugar do infortúnio que a literatura encontra a psicanálise. Os artigos aqui reunidos aceitaram o desafio de desdobrar e retirar as consequências dessa proposta de trabalho perfazendo um giro a mais nas voltas da interpretação e apontando que ela não é uma resolução, mas o passo necessário para bem dizer o impasse, umbigo do sonho da literatura e da psicanálise.
Giros da interpretação: o enigma na literatura e na psicanálise – MERCADO DE LETRAS
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