“”O resgate da linguagem – e, no limite, da poesia – fica evidente na resposta dada pelo poeta à pergunta que ele próprio formula no poema “”Fôlego Híbrido””, ao se indagar “”quanto vale a visão de um futuro ou toda a duração/ de um poema, se já pouco resta da inocência,/ e se nada preserva o fôlego híbrido dessas crianças/ que correm – e gritam – pelas cidades queimadas/ antes de extinguirem””, e a resposta é: “”um valor simbólico””.
Um valor simbólico, reconhecemos, é uma potente definição da poesia. Se há linguagem, por mais escassa e gasta que se apresente, ainda há símbolos; e, se há símbolos, há literatura – a possibilidade do gesto literário não apenas como uma reação, mas também uma afirmação, algo que por um momento afasta a morte ao passar de coração em coração.”” (Daniel Francoy)

