É preciso ter o gosto de sentir-se pequeno, o gosto de sentir-se enormemente ultrapassado, o gosto de admirar. E, por meio de um tom de humildade, assim se compreende e se degusta a beleza das brumas.
Nossa natureza nos faz a todo momento tropeçar em suas limitações, e assim o mistério marca frequentemente sua presença. A simples frase “”Deus criou o mundo do nada”” envolve a noção de mistério, e assim também muitas outras sentenças que, à primeira vista, podem parecer extremamente simples.
Segundo a filosofia tomista, “”as criaturas não são necessárias, nem incausadas, nem eternas, nem infinitas.”” Portanto, elas são contingentes, ou seja, poderiam existir ou não. Decorre daí que o homem fica com uma espécie de fundo de mistério na cabeça. Éo tal senso de mistério que todo homem carrega consigo, o qual não deve ser visto como algo de contraditório com a natureza do ser contingente (que poderia ser ou não ser), mas como algo que possui um mundo de harmonias, para cujo conhecimento o ser

