“”Nós””, de Evgeny Zamyatin (1884-1937), é uma das obras fundadoras da ficção distópica moderna.
Escrito em 1920, o romance apresenta o diário de D-503, engenheiro-chefe da nave Integral e cidadão exemplar do Um-Estado – uma sociedade totalitária do futuro construída inteiramente em vidro, onde a vigilância é absoluta e a vida de cada indivíduo é regulada por tabelas matemáticas de horário. Inicialmente convicto de que a felicidade depende da eliminação da liberdade, D-503 vê a sua certeza ruir ao envolver-se com a enigmática I-330, cujo comportamento subversivo o conduz a uma descoberta perturbadora: existe um mundo para além dos muros transparentes, e existe também dentro dele uma dimensão humana – desejos, dúvidas, imaginação – que o regime tenta suprimir. À medida que o protagonista se confronta com a resistência clandestina e com os limites da própria racionalidade, o diário transforma-se numa narrativa sobre o choque entre o indivíduo e um sistema que pretende controlar até o pens

