Múltiplo, relevante, profundo.
Uma epígrafe de Primo Levi abre o livro de Lucas Barroso, o que já é suficiente para o leitor ter uma ideia da característica marcante deste O tempo já não importa. (Belíssimo título, a propósito.) Em seu primeiro livro de poesias, um conjunto de poemas diverso em forma e conteúdo. Lucas Barroso ilumina temas como solidão (A bíblia de Gutenberg, De malas prontas), mendicância (Cena na biblioteca municipal, No caminho dos antiquários), guerra (Estamos em guerra, você não viu?, Os idiotas), passagem do tempo (Ruga, Abalo sísmico), e amor (Uivando para a lua mansa, Lavoura). E o faz com palavras doces e férteis.
Quando o humor aparece em sua poesia (Declaração ao Imposto de Renda, Diálogo do poeta com sua esposa), ela surge com inteligência, não se limita ao poema-piada, ao poema-trocadilho. É um humor com relevância. Há ironia em Um epitáfio. Já em O inventor da estricnina o autor é categórico: Escrevo / Porque a Literatura me permite ouvir o silêncio de

