No final do Capítulo XIII da sua Poética, Aristóteles critica as tragédias que terminam bem para os personagens bons e mal para os personagens maus, em vez de seguirem o formato que ele considera superior: quando a ação acaba mal para um personagem que é bom, e isso ocorre por causa de um erro seu. Na breve discussão que faz do esquema que reputa pior – e chama de “”construção dupla”” -, o filósofo reconhece que arcos dramáticos assim eram populares e que o gosto do público costumava ser atendidopelos poetas na hora de comporem suas obras (Poética, 1453a30-35). O mais interessante, porém, é que nesse ponto do tratado ele não dá como exemplo uma peça, e sim a Odisseia de Homero.
A Odisseia é dotada de uma estrutura que poderíamos chamar de bipartida: narra uma história com final feliz para Odisseu e sua família, mas com desfecho infeliz para os pretendentes que ameaçavam matar seu filho e cobiçavam sua esposa. De um lado, o herói que sofre mas termina tendo sucesso. Do outro, homens que

