No dia 20 de agosto de 1700, em Salvador, na Bahia, “”a negra Páscoa, hoje forra, que foi cativa de Francisco Alvares Távora””, nascida em Angola, é presa pela Inquisição. Em seguida, é levada para Lisboa, em mais uma travessia forçada do Atlântico para ser submetida aos interrogatórios implacáveis do tribunal do Santo Oficio. A acusação: crime de bigamia. Casou-se no Brasil, sendo que seu primeiro marido ainda estava vivo em Angola. É o que concluíra a minuciosa investigação, iniciada sete anos antes, percorrendo três continentes.
A partir de uma pesquisa histórica baseada no processo inquisitorial de Páscoa Vieira, conservado há trezentos anos nos arquivos eclesiásticos de Portugal, e em uma série de outras fontes de época, o livro oferece um impressionante panorama das sociedades escravistas do Atlântico sul – do Brasil e de Angola -, revelando o incisivo papel da Igreja nesses contextos.
Com vasto conhecimento sobre o Brasil colonial, a historiadora francesa Charlotte de Castelnau-

