Há quem acredite que um bom livro de poesia é aquele que inaugura uma língua nova dentro da própria língua. Outros, menos radicais ou românticos, já acham que é na decalagem e no deslocamento da linguagem cotidiana, e seu consequente estranhamento frente aos leitores, que reside a qualidade da obra poética. Se Sair da piscina, segundo livro do carioca Victor Squella, cumpre algum desses requisitos da boa poesia, caberá aos leitores e críticos, com o tempo, responderem. Mas o fato é que os poemasque compõem essa nova coletânea se agrupam na tentativa de encontrar, como revela uma das peças, “”um animal mítico & furioso / para colocar no centro da língua””.
Tal animal é também a própria linguagem, que ora soa tão distante e clássica, o que dá certa pompa irônica aos poemas apresentados, e ora se encosta na coloquialidade íntima característica da produção atual. Não por acaso, a língua, neste livro, é a “”primeira coisa a ser sacrificada / para os deuses da casa””, já que é com sua destrui

