Reflectir sobre toxicodependência é tarefa importante numa sociedade marcada pela ausência de limites. Torna-se mais urgente fazê-lo se, estudando a pessoa toxicodependente, podermos compreender melhor a pessoa em si mesma. Esta investigação e os estudos que a integram foram precedidos por uma experiência e prática terapêutica vivida com centenas de pessoas atingidas pelo consumo múltiplo de substâncias psico-activas.
Abriram-se grandes horizontes de reflexão filosófica, ao nível de uma antropologia da pessoa como ser-amor. Uma antropologia não apenas do sujeito, mas da relacionalidade e da reciprocidade no amor, na qual o amor é a condição dinâmica do ser, o amor é o ser. E a relação intersubjectiva, indispensável na reabilitação das dependências, é não simplesmente dual, mas plural, pois o amor apresenta-se uma terceira realidade entre duas, que está presente nelas, mas existe para além e anteriormente aos sujeitos da relação, transcendendo-os.
Na dinâmica da pessoa como ser-amor,

